Teuda Bara
Comunista demais para ser chacrete
... 
Um livro de João Santos

“Teuda Bara – Comunista demais para ser chacrete” é, na verdade, um perfil biográfico da mitológica atriz mineira, consagrada por sua trajetória junto ao Grupo Galpão e por sua incomparável gargalhada. Resultado de uma convivência íntima entre o autor, João Santos, e a atriz, já aos seus 75 anos de idade, o livro narra episódios desde a infância de Teuda, seu ingresso no teatro, até suas mais recentes aventuras, da resistência à ditadura militar a sua passagem pelo renomado Cirque du Soleil, em Las Vegas. 
Mais do que uma biografia formal, este projeto pretendia traduzir a irreverência e o carisma de Teuda, sua simplicidade cômica e anárquica, tentando oferecer ao leitor uma experiência fluida e tão rica visualmente quanto suas narrativas. Uma das estratégias foi a saturação do vermelho e sutis referências às publicações comunistas de diversos períodos do séc. XX. A tipografia ITC Souvenir, com suas formas gordinhas e sensuais, foi aplicada como uma alusão às chanchadas brasileiras dos anos 70. O projeto gráfico conta ainda com as singelas ilustrações de Maíra Botelho.
“Teuda Bara - Too comunist to be chacrete* ” is a biographical profile about this remarkable Brazilian actress, celebrated for her career as a member of theatre group Galpão as well as for her incomparable laugh. Product of the close relationship between author João Santos and the actress, who is now in her 70's, the book narrates episodes since Teuda's childhood, including her debut into theater and her most recent adventures; from resisting against Brazilian military dictatorship to her time spent working at the renowned Cirque du Soleil in Las Vegas.
More than a formal biography, this project is intended to translate Teuda's irreverence and charisma, her comical and anarchical simplicity, trying to offer a fluid experience as visually rich as its narratives. One of the strategies was the use of saturaded red and subtle references to comunist publications from different periods of the XXth century. The font ITC Souvenir, with its chubby and sensual forms, was applied as an allusion to the chanchadas**. The graphic project also brings the delicate illustrations from Maíra Botelho.
* "Chacrete" is a term referent to the background dancers of the "Cassino do Chacrinha", one of the most popular TV shows in the history of Brazilian broadcasting.
** "Chanchadas" were a popular film genre during the 60's and 70's in Brazil, often cheap and/or independent sex commedies with low explicit content and a kitsch aesthetic appeal.
Um dos desafios deste projeto era propor uma solução gráfica que representasse as vozes que se revezam no livro: a do autor, introvertida e delicada – por vezes até mesmo lírica – nos oferece contexto para as narrativas em primeira pessoa da própria Teuda Bara, extravagante e despudorada, que parece querer transbordar da página.
Nas palavras do autor, “o afeto foi um sentimento guia na criação deste livro”. Assim também foi com o projeto gráfico. O livro é fruto de um longo processo de pesquisa e convivência com a atriz, que envolveu tardes em sua casa, vasculhando pastas, gavetas e armários.
É o caso, por exemplo, desse pedacinho de papel usado como epígrafe do livro. “O álbum nunca vai comportar tantas loucuras, sonhos, corações”, escreveu Wandinha, colega de Teuda na criação do Grupo Galpão, três anos antes de falecer em um acidente de carro. O recadinho – uma preciosidade em meio ao processo – foi achado no fundo de uma gaveta, em meio a textos de teatro, cartas, fotos e documentos rabiscados pela atriz.
One of the chalenges creating this project was to propose a graphic solution that would represent the voices that alternate in the book. The voice of the author – introvet, delicate, poethic – witch offers context for Teuda's personal narratives – extravagant and shameless – on the verge of spreading out of the page. 
In the author's own words, "affection was a guide concept in the creation of this book". As it was in the editorial project. It is the result of a long process of research and intimacy with the acctress, witch involved afternoons in her house going though archives, drawers and closets. 
Like, for exemple, this little piece of paper used as an epigraph. "The album will never contain so much craziness, so many dreams and hearts", written by Wandinha, Teuda's collegue in the creation of the Grupo Galpão (theater group), three years before her death in a car accident. The little scrap – one of the treasors found during this project – was hidden in the back of a drawer, among theater plays, letters, photos and documents scrabbled by the acctress.
Back to Top